segunda-feira, 11 de julho de 2011

Breve História da Salinicultura em Portugal

O documento mais antigo que se refere ao sal português data do ano 959 e trata da doação de terras e marinhas de sal de Aveiro, feita pela Condessa de Mumadona ao Mosteiro de S. Salvador que fundara em Guimarães. Contudo, há evidências de que a exploração salineira no nosso território é bem mais antiga.

A costa Atlântica da Península Ibérica tem tido desde há muito, uma excelente reputação pela sua produção de sal. O prato mais famoso na época do Império Romano, o Garum Ibérico, era aqui confeccionado e consistia numa pasta de peixe em azeite com ervas aromáticas e Salgado com sal marinho retirado das salinas da região (Le Foll, 1997).

A existência de “salgadeiros” (tanques de argamassa rija com 3 metros de comprimento e 1,5 m de largura e altura) bem talhados e ainda hoje operacionais, parece demonstrar o avanço das metodologias da exploração do sal na Lusitânia durante a ocupação Romana (Século III) (Ferreira da Silva, 1966). Em 1178, no reinado de D. Afonso Henrique, já se explorava o sal nas margens do Mondego.

Noutras regiões do Norte também, outrora, se produzia sal: em Vila do Conde e Matosinhos, no Século XI; no Porto, no séc. III; em Caminha, no séc. XVIII. Hoje, nenhuma das salinas destas localidades está activa.



No Algarve, perto de Portimão, ainda existem salgadeiros do tempo dos romanos, o que indica que, nessa altura, já havia produção de sal nessa região. No reinado de D. João I, a quantidade produzida era tal que o governo facilitava a exportação para o estrangeiro, como medida de grande conveniência económica. Em 1532, D. João III ordenou a construção de vinte e oito salinas na região de Tavira, as quais já em 1790 se encontravam completamente arruinadas.

Na Idade Média o sal era um artigo privilegiado, isento de qualquer imposto e de portagens. Não admira que tal acontecesse, pois o sal Português sempre foi considerado até no estrangeiro, de qualidade superior. Portugal foi um país exportador, no reinado de D. Afonso Henriques, Aveiro fornecia sal para todo território nacional e também exportava grandes quantidades. Mais tarde, no reinado de D. João I, foi permitida a exportação de sal do Algarve e de Lisboa.


O Sal Português era então vendido a preços superiores ao do produzido nas minas da Europa Central. A sua importância foi tanta que, graças ao sal das salinas de Setúbal, Portugal pagou à Holanda, de acordo com o Tratado de 1669, 4.000.000 de cruzados pondo assim termo ao conflito entre os dois países e libertando o Brasil da ocupação neerlandesa (Rau V., 1958).
Entre os países que mais sal português consumiram, destaca-se a França, a Holanda, a Dinamarca, a Noruega, o Reino Unido e a Suécia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Sal e a História

O sal foi provavelmente, desde o princípio dos tempos, o primeiro mineral utilizado conscientemente pelo homem como suplemento alimentar. A crescente necessidade e preocupação do homem para manter os alimentos em bom estado levou-o a perceber que o uso do sal, era um dos métodos.

Cerca de 2.700 A.C. foi publicado na China o “Peng-Tzao-Kam-Um”, o mais antigo tratado sobre farmacologia onde refere mais de 40 tipos de sal e descreve dois métodos para a sua extracção e transformação e que são espantosamente semelhantes aos utilizados nos nossos dias.

Há registos de produção de sal nas artes Egípcias que datam de 1.450 A.C., onde o sal era utilizado nas técnicas de preservação das múmias. Nos locais onde o sal era escasso este era trocado por ouro, noivas ou escravos. Na Grécia antiga trocavam escravos por sal, de onde surgiu a frase “não vale o seu sal”.

A maior avenida de Roma, Via Salaria, era utilizada para o transporte de sal desde as salinas de Ostia no Rio Tibre. Rações de sal era fornecidas aos soldados e eram conhecidas por “salarium argentum” de onde surgiu a palavra salário (Le Foll, 1997; Ferreira da Silva, 1966).

                         Fig.1 - Mosaico encontrado nas ruínas de Milreu, datados do séc.III

O sal começou a ter uma importância vital desde muito cedo, contribuindo para o enriquecimento e o progresso das nações que o comercializavam. Contudo o “ouro branco”, como lhe chamavam antigamente, era raro e caro e levou também a guerras e conflitos. A França sempre foi um grande produtor de sal, e a “gabelle”, taxa do sal, foi uma das causas que desencadearam a Revolução Francesa. Gandhi liderou milhares de indianos a provar que o sal marinho pertencia a todos e não era apenas uma mercadoria britânica (Le Foll, 1997).

O Sal não é Todo Igual ®

Muito se tem escrito sobre o Sal. Muitas vezes inverdades… O Sal é um mineral utilizado pelo Homem praticamente desde a sua origem e a sua evolução também muito é devida a este mineral.
Este Blogue pretende ser um contributo para todos, para melhor entendermos o que é o Sal, que tipos de Sal existem, como deve ser utilizado, que benefícios nos oferece a sua racional utilização.

O Sal deve ser entendido como um elemento que para além de realçar o sabor dos alimentos possui também um importante papel na manutenção do nosso metabolismo e no sistema imunológico.

O Sal como muitos (ou todos) dos ingredientes deve ser utilizado com moderação, razão pela qual um maior e melhor  conhecimento acerca deste assunto, contribuirá com certeza para uma alimentação mais equilibrada, mais saudável e mais saborosa.

“O Sal não é todo Igual” ®