segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Os Salgados do País

Sabia que ao conjunto de salinas, e seu meio, que se encontram em determinada região dá-se o nome de Salgado?

Em Portugal podemos encontrar cinco Salgados ao longo do litoral: os Salgados de Aveiro, da Figueira da Foz, do Tejo, do Sado e do Algarve. Cada Salgado tem as suas características específicas, quer na sua estrutura, quer no seu modo de funcionar, na forma de exploração do sal, nos usos e costumes, na nomenclatura e também na qualidade e, antigamente.

As diferenças existentes entre os Salgados, tais como, a sua localização, a acção do clima nessa região, o tipo de água utilizada e mesmo o solo de que a salina é feita influenciam o tipo de sal produzido e as suas características.

O traçado das salinas, a dimensão dos cristalizadores, as metodologias de produção e o vocabulário apresentam diferenças significativas entre os Salgados do País. Por outro lado, a fauna e flora dos Salgados são muito semelhantes pois pertencerem ao mesmo tipo de ecossistema, o sapal é entre médio a alto, contudo, devido às diferenças climatéricas a ocorrência de certas espécies, pode variar.

No Salgado de Aveiro as salinas encontram-se localizadas em ilhotas no meio do sapal. Esta característica fez com que se associasse, à produção do sal, a utilização de barcos únicos e tradicionais, o mercantil, para transportar o sal para terra. 

No Salgado de Figueira da Foz grande parte das salinas também se encontra em ilhas no meio do sapal. Os cristalizadores destas salinas são muito pouco fundos, o que faz com que não seja possível a recolha de flor de sal. Uma característica destes Salgado é a existência de grandes armazéns todos de madeira, apresentando uma construção única e tradicional.

No Salgado do Tejo, uma das características peculiares de algumas das salinas é o casco, também denominado feltro, o qual consiste no revestimento do fundo do cristalizador por uma camada de algas, formando uma espécie de tapete.


O Salgado do Sado, constituído por salinas de Alcácer do Sal, Palmela e Setúbal, estendendo-se ao longo do Rio Sado, é o mais antigo do país. Inicia-se quase junto ao agrupamento das salinas da margem esquerda do Tejo e estende-se numa faixa de cerca de 40 Km.

O Salgado do Algarve estende-se do barlavento ao sotavento desta região. As salinas dispersavam-se por Portimão, Faro, Olhão, Tavira e Castro Marim. Actualmente concentram-se nas zonas de Olhão, Tavira e Castro Marim. O aspecto climático do Algarve e a composição dos solos, em particular do Sotavento Algarvio, apresentam condições óptimas para a produção de sal, actividade esta que é secular na região, e um dos únicos ramos que pesou de forma significativa na estrutura da economia regional.
É neste Salgado que estão reunidas as melhores condições naturais para a prática da Salinicultura do País e é também esta a região pioneira nas modernas acções de valorização do produto sal artesanal - nomeadamente através da comercialização de flor de sal.

Existem ainda as Salinas Interiores. A exploração de salinas solares (em que o sal cristaliza por evaporação) a partir de nascentes salgadas - as chamadas salinas interiores, esteve até ao início do século XX restrita a Rio Maior, região que adaptou a sua tipologia própria, com uma nomenclatura muito particular, em que até os salineiros são designados por marinheiros, facto que não ocorre nos restantes
salgados portugueses. No entanto na primeira metade do século foram descobertas algumas nascentes salgadas na região de Leiria que foram exploradas. Curiosamente, no entanto pelo menos uma delas (a que se manteve em actividade durante mais tempo e com maior produção) adoptou, em termos de traçado, a tecnologia das salinas da Figueira.

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